Ar-condicionado não é o único recurso para deixar casa fresca

Michelle Monte Mor

Artigo originalmente publicado por diarioweb.com.br

Temperaturas acima de 30ºC, sem nuvens ou brisas. Estamos na estação mais quente do ano. Passear nas ruas de Rio Preto, só com muito protetor solar e boné. Nessas horas, nada como ficar num ambiente com ar-condicionado ou um bom ventilador. Mas nem sempre o ar-condicionado é o único recurso para deixar o ambiente mais fresco e agradável. Pisos frios e janelas grandes, com vegetação próxima, são algumas soluções para diminuir o calor incômodo desta época do ano. Para quem vai construir, o ideal é observar a posição do sol em relação ao terreno e o que há em volta (se está numa baixada, por exemplo) e também ficar atento à ventilação cruzada, que aumenta o fluxo de vento nos ambientes da casa. “Muitas pessoas costumam, no projeto da casa, virar a casa no sentido do sol e ainda fazer janelas muito pequenas, que não ajudam em nada quando o assunto é ventilação. É imprescindível pensar na posição do vento e do sol. Com isso, além de tornar a casa mais fresca, você economiza em energia”, explica a arquiteta Denise Farina.

Se possível, construa os quartos voltados para a fachada leste, onde nasce o sol e o clima é mais ameno. “Hoje, por causa da insegurança das pessoas, as casas estão mais fechadas, com janelas cheias de grades, o que aumenta o calor interno”, diz a arquiteta. Além dos janelões e varandas com muitas plantas, existem outras opções. Prefira os pisos frios e claros. “Quanto mais escura a cor do ambiente, mais quente ele parece. Também opte pelas telhas de cerâmica, bem mais frescas que os modelos em concreto. Além disso, você pode instalar uma manta antitérmica, que isola cerca de 80% do calor”, diz Denise. Para quem adora plantas, uma ótima notícia. Elas podem deixar seu ambiente bem mais fresco. “Vasos altos, com muitas plantas, amenizam bastante o calor. Fontes ou espelhos d´água também ajudam”, afirma a arquiteta Denise.

Na residência de Maria José Marques foram feitas algumas mudanças para amenizar o calor extremo. Há alguns anos, ela resolveu trocar as janelas, os pisos e fazer uma varanda com amplo jardim.

“Meu marido construiu ainda um sistema de irrigação. Ele é ótimo, pois ajuda a refrescar o ambiente. É como se fosse um ar-condicionado ecológico”, diz ela. No ambiente de estar, ela trocou as pequenas janelas, que mal deixavam o ar entrar, por portas “camarão”, que não ocupam espaço e facilitam a ventilação. Trocou o antigo revestimento de carpete por pisos cerâmicos, mármore e pedras mineiras. “Os janelões e os cômodos interligados facilitam a corrente de ar, o que areja o ambiente”, afirma a moradora.

Para a arquiteta Claudia Passarini, essas dicas são muito importantes ao projeto e a relação custo-benefício é grande. “No início, o morador terá de investir em soluções para deixar o ambiente mais fresco. Mas consequentemente, no futuro ele irá gastar bem menos com ventilador e ar-condicionado”, diz. Até a primeira metade do século 20, os imóveis eram dotados de porão, um espaço na parte inferior da casa, que permitia a circulação do vento. Era um recurso útil nos casarões brasileiros porque também serviam de depósito ou mesmo de moradia no caso de famílias numerosas. O sótão também já foi muito utilizado, na parte superior da casa. “Esse artifício cria um colchão de ar entre a laje e a telha. Com isso, o calor diminui. Mas o sótão, hoje, não é muito utilizado. No lugar deles, estão as mantas de isolamento e os processos de impermeabilização”, explica a Claúdia.

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